Tipos de carregadores para carros elétricos: fichas, potências e onde usar

um tipo dos vários carregadores de carros elétricos

Os tipos de carregadores para carros elétricos variam conforme a região do mundo, o tipo de corrente e a potência disponível. Na Europa, a ficha Tipo 2 é a referência para corrente alternada e o CCS2 para o carregamento rápido em corrente contínua. Neste guia, o condutor encontra as diferenças entre fichas, modos de carregamento, wallbox e postos públicos, e percebe qual a opção mais adequada a cada situação.

Em resumo: o essencial antes de começar

  • Na União Europeia, os novos pontos de carregamento públicos devem ter, no mínimo, ficha Tipo 2 em corrente alternada (AC) e CCS2 (Combo 2) em corrente contínua (DC), de acordo com o Regulamento AFIR, aplicável desde 13 de abril de 2024.
  • As fichas Tipo 1 e CHAdeMO surgem sobretudo em modelos mais antigos ou pensados para outros mercados.
  • A potência real de carregamento é sempre limitada pelo elemento mais fraco: o posto, o cabo ou o próprio carro.
  • Em casa, a wallbox (Modo 3) é a solução recomendada para o dia a dia; a tomada doméstica serve como recurso ocasional.
  • Em Portugal, o novo regime da mobilidade elétrica torna obrigatória a opção de carregar sem contrato prévio, com aplicação faseada, e o período transitório foi prolongado até 31 de dezembro de 2027.

Que tipos de carregadores para carros elétricos existem?

Quando se fala em carregadores para carros elétricos, há três níveis a distinguir: a ficha que liga o cabo ao carro, o modo de carregamento, que define o equipamento e as proteções usadas, e o local onde se carrega, seja em casa, no trabalho ou na rede pública. Todos assentam numa diferença base: corrente alternada (AC) ou corrente contínua (DC).

AC ou DC, em poucas palavras

Em corrente alternada (AC), a energia passa pelo carregador de bordo do carro, que a converte em corrente contínua para a bateria. Por isso, a velocidade fica limitada pela potência desse carregador, normalmente entre 3,7 e 22 kW. Em corrente contínua (DC), é o posto que faz a conversão e envia a energia diretamente para a bateria, o que permite potências muito superiores.

A potência depende do posto, do cabo e do carro

Um posto de 22 kW não garante um carregamento a 22 kW. Se o carregador de bordo do carro aceitar apenas 11 kW em AC, é esse o valor máximo. O mesmo acontece em DC: um modelo que aceite até 150 kW não ultrapassa esse limite num posto de 300 kW. Antes de escolher onde carregar, vale a pena confirmar na ficha técnica a potência máxima AC e DC do modelo.

Tipos de fichas para carros elétricos: comparação

Ficha Corrente Potência habitual Onde é mais comum Situação na Europa
Tipo 1 (SAE J1772) AC monofásica Até 7,4 kW América do Norte e Japão Apenas em modelos antigos, com cabo próprio
Tipo 2 (Mennekes) AC monofásica e trifásica 3,7 a 22 kW (até 43 kW em alguns postos rápidos) Europa Padrão para carregamento AC
CCS2 (Combo 2) DC (e AC pela parte Tipo 2) Normalmente 50 a 350 kW ou mais Europa Padrão para carregamento rápido DC
CHAdeMO DC Habitualmente até 50 kW nos postos europeus Japão Em declínio, presente em modelos mais antigos

Valores indicativos. Existem também postos DC de menor potência. A potência efetiva depende do posto, do cabo e do limite de carregamento de cada modelo.

Tipo 1, Tipo 2, CCS e CHAdeMO: diferenças entre as fichas

Cada ficha corresponde a uma norma técnica e a um tipo de corrente. Na Europa, a escolha está praticamente feita: Tipo 2 para AC e CCS2 para DC. As restantes continuam a ser relevantes para quem tem, ou pondera comprar, um elétrico mais antigo.

Tipo 1 (SAE J1772)

A ficha Tipo 1 é um conector de corrente alternada monofásica, com cinco pinos, desenvolvido nos Estados Unidos e usado sobretudo na América do Norte e no Japão. Na rede elétrica europeia de 230 V, fica limitada a cerca de 7,4 kW. Na Europa, surge apenas em alguns elétricos e híbridos plug-in mais antigos, como a primeira geração do Nissan Leaf. Nestes casos, um cabo Tipo 2 para Tipo 1 permite carregar nos postos atuais.

Tipo 2 (Mennekes)

Baseada na norma IEC 62196-2, a ficha Tipo 2 tem sete pinos e aceita corrente alternada monofásica e trifásica. É a ficha padrão na Europa para AC: está nas wallbox, nos postos de carregamento normal e na generalidade dos elétricos e híbridos plug-in vendidos no mercado europeu. Nos postos públicos, a potência habitual vai de 3,7 a 22 kW, e alguns postos rápidos oferecem até 43 kW em AC, com cabo fixo. Em muitos postos de carregamento normal, o condutor tem de usar o seu próprio cabo Tipo 2.

CCS2 (Combo 2)

O CCS, sigla de Combined Charging System, junta a ficha Tipo 2 a dois pinos adicionais de corrente contínua, na parte inferior. Assim, a mesma tomada do carro aceita carregamento AC, usando apenas a parte superior, e carregamento rápido DC, com a ficha completa. Nos postos rápidos europeus, as potências vão normalmente de 50 a 350 kW ou mais. A versão norte-americana chama-se CCS1 e tem como base a ficha Tipo 1. A terceira geração do Nissan Leaf, por exemplo, abandonou o CHAdeMO e adotou o CCS.

O que diz a lei europeia, em poucas palavras

Desde 13 de abril de 2024, aplica-se em toda a União Europeia o Regulamento (UE) 2023/1804, conhecido como AFIR. Por razões de interoperabilidade, os novos pontos de carregamento de acesso público devem dispor, no mínimo, de ficha Tipo 2 em corrente alternada e de CCS2 (Combo 2) em corrente contínua.

CHAdeMO

Desenvolvido no Japão por um grupo de fabricantes, entre os quais a Nissan, e pela Tokyo Electric Power Company, o CHAdeMO foi um dos primeiros sistemas de carregamento rápido em DC, com a associação que o gere criada em 2010. Usa uma ficha própria, separada da ficha AC, pelo que os carros com CHAdeMO têm duas tomadas de carregamento. A norma prevê potências elevadas, mas nos postos europeus o habitual é até 50 kW. Com o CCS2 como padrão europeu, os postos CHAdeMO são cada vez menos frequentes, o que convém ter em conta na compra de um elétrico usado com esta ficha.

Outras fichas fora da Europa

Fora do mercado europeu existem outras normas, como a GB/T, usada na China em AC e DC, e a SAE J3400, conhecida como NACS, que se tornou o padrão na América do Norte. A generalidade dos elétricos comercializados na Europa, incluindo os de marcas chinesas, usa as fichas europeias Tipo 2 e CCS2.

Modos de carregamento: da tomada doméstica ao posto ultrarrápido

A norma IEC 61851 define quatro modos de carregamento, que descrevem o tipo de ligação, as proteções e a corrente usada. Saber em que modo se carrega ajuda a perceber a velocidade e a segurança de cada solução.

Os quatro modos de carregamento de carros elétricos

Modo Corrente Equipamento Potência habitual Utilização
Modo 1 AC Tomada doméstica, com cabo sem proteção dedicada Baixa Desaconselhado em automóveis, por falta de proteção dedicada
Modo 2 AC Tomada doméstica (schuko) ou industrial, com cabo com caixa de controlo e proteção Cerca de 2,3 kW em tomada doméstica Recurso ocasional
Modo 3 AC Wallbox ou posto AC com ficha Tipo 2 3,7 a 22 kW (até 43 kW em alguns postos públicos) Carregamento diário em casa, no trabalho ou na via pública
Modo 4 DC Posto rápido ou ultrarrápido, com cabo fixo CCS2 ou CHAdeMO Normalmente 50 a 350 kW ou mais Viagens e paragens curtas

Valores indicativos. Em AC, a potência efetiva fica sempre limitada pelo carregador de bordo do veículo.

Que cabos são necessários

Nos postos DC, o cabo está sempre fixo ao posto. Nos postos AC sem cabo, é necessário um cabo Modo 3 com ficha Tipo 2 nas duas extremidades, que muitos modelos incluem de série ou como opção. O cabo Modo 2 para tomada doméstica pode vir de série ou ser um acessório, consoante a marca e a versão.

Wallbox: o carregador doméstico mais recomendado

A wallbox é um posto de carregamento doméstico fixado na parede, que carrega o veículo em corrente alternada, em Modo 3 (norma IEC 61851), com ficha Tipo 2. Pode ser ligada a instalações elétricas monofásicas e trifásicas, com potências habituais de 7,4 kW em monofásico e de 11 ou 22 kW em trifásico, sempre limitadas pelo carregador de bordo do carro.

Muitos condutores perguntam porque devem instalar uma wallbox, se o carro já permite carregar numa tomada doméstica. As vantagens são várias:

  • Segurança elétrica: usa um circuito dedicado, com proteções próprias, que evita sobrecarregar a instalação da casa e o sobreaquecimento de tomadas.
  • Rapidez: carrega várias vezes mais depressa do que uma tomada doméstica, o que permite repor a bateria durante a noite.
  • Controlo: muitos modelos permitem programar horários, aproveitar tarifas bi-horárias e fazer gestão dinâmica de potência, ajustando o carregamento ao consumo da habitação.
  • Cuidado com a bateria: o carregamento em AC é mais gradual do que nos postos rápidos DC, o que favorece a preservação da bateria no uso diário.

A instalação deve ser feita por um técnico habilitado e, em prédios, implica comunicar a intenção, por escrito, à administração do condomínio, com pelo menos 30 dias de antecedência. O guia sobre como instalar uma wallbox em casa explica requisitos e custos, e o artigo sobre wallbox em condomínio ajuda a preparar essa comunicação. Para comparar todas as alternativas, incluindo a tomada schuko, vale a pena ler o guia sobre como carregar o carro elétrico em casa. Através da Electric Move by Caetano, é ainda possível pedir orçamento para carregador e instalação.

Postos de carregamento públicos em Portugal: potências e pagamento

Na rede pública portuguesa, os postos de carregamento elétrico dividem-se pela potência que oferecem:

  • Carregamento normal: em AC, até 22 kW, com ficha Tipo 2 e, muitas vezes, com o cabo do próprio condutor. Indicado para estacionamentos longos.
  • Carregamento rápido: acima de 22 kW, sobretudo em DC, com cabo fixo CCS2 e, em alguns postos, CHAdeMO. Há também postos com saída AC de 43 kW em cabo fixo Tipo 2. Útil em paragens curtas.
  • Carregamento ultrarrápido: em DC, com potências muito elevadas, normalmente a partir de 150 kW, pensado para viagens longas.

O carregamento rápido faz parte da utilização normal de um elétrico, mas, no dia a dia, o carregamento em AC continua a ser a opção mais favorável para a bateria. O artigo sobre carga rápida e degradação da bateria analisa o que dizem os dados. Planear as viagens de acordo com a autonomia do carro elétrico ajuda a escolher as paragens certas.

Como pagar o carregamento: o que mudou com o novo regime

O Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto, aprovou o novo regime jurídico da mobilidade elétrica e eliminou a figura do comercializador de eletricidade para a mobilidade elétrica (CEME). Com o novo modelo, os pontos de carregamento passam a ter de permitir o carregamento ad hoc, isto é, sem contrato prévio: os postos com 50 kW ou mais devem aceitar cartão bancário e os restantes devem disponibilizar, pelo menos, um meio de pagamento eletrónico, como o código QR. Nos postos de 50 kW ou mais que já estavam em funcionamento, estas obrigações de pagamento aplicam-se a partir de 1 de janeiro de 2027.

Um dado a não ignorar

O Decreto-Lei n.º 155/2026, de 31 de julho, prolongou o período transitório do novo regime da mobilidade elétrica até 31 de dezembro de 2027. Até essa data, a plataforma Mobi.E continua a gerir a rede integrada e os comercializadores de eletricidade para a mobilidade elétrica podem manter a atividade enquanto se adaptam ao novo modelo.

Durante o período transitório, nos postos ligados à rede Mobi.E, continua a ser possível carregar com um cartão de mobilidade elétrica (CEME) ou com a respetiva app, uma solução prática para quem carrega com frequência na rede pública. Para conhecer todas as alterações, pode consultar o artigo sobre o novo regime da mobilidade elétrica e, para comparar custos entre casa e rede pública, o guia sobre quanto custa carregar um carro elétrico.

Como saber que carregador usa o seu carro elétrico?

A forma mais rápida é observar a tomada de carregamento do carro e confirmar os dados na ficha técnica ou no manual do proprietário. Há quatro elementos a verificar:

  • Ficha AC: nos modelos vendidos na Europa, é quase sempre Tipo 2.
  • Ficha DC: CCS2 na generalidade dos elétricos atuais e CHAdeMO em alguns modelos mais antigos. Muitos híbridos plug-in não têm carregamento DC.
  • Potência máxima AC: definida pelo carregador de bordo, por exemplo 7,4 ou 11 kW, indica a wallbox que faz sentido instalar.
  • Potência máxima DC: mostra que tipo de posto rápido compensa usar em viagem.

Na compra de um elétrico usado, estes dados ganham ainda mais importância: um modelo com ficha CHAdeMO ou com carregador de bordo de baixa potência pode exigir mais planeamento. O guia sobre carros elétricos usados ajuda a avaliar estes pontos, e o simulador da Electric Move by Caetano indica o eletrificado mais adequado a cada perfil de utilização.

O próximo passo é seu

Conhecer os tipos de carregadores para carros elétricos torna o dia a dia mais simples e evita surpresas em viagem.

Em resumo: na Europa, a ficha Tipo 2 serve para carregar em AC, em casa e em postos normais, e o CCS2 para carregar rapidamente em DC. A wallbox é a solução recomendada para o carregamento diário e a rede pública completa as necessidades em viagem, agora com formas de pagamento mais simples.

Para aprofundar o tema, o guia sobre como e onde carregar carros elétricos reúne a informação prática sobre a rede em Portugal, e o guia completo sobre carros elétricos ajuda a dar os primeiros passos na mobilidade elétrica.

Na Caetano, encontra uma ampla oferta de carros elétricos usados e seminovos de várias marcas. Conheça a oferta disponível.

Perguntas frequentes sobre tipos de carregadores para carros elétricos

Qual a potência necessária para carregar um carro elétrico em casa?

Depende do equipamento e do consumo da habitação. Numa tomada doméstica, em Modo 2, o carregamento ronda os 2,3 kW. Para tirar partido de uma wallbox monofásica de 7,4 kW sem limitações, é comum recomendar-se uma potência contratada de 10,35 kVA, para que o carro e os restantes equipamentos funcionem em simultâneo. Com gestão dinâmica de potência, a wallbox ajusta o carregamento ao consumo da casa e pode funcionar com potências contratadas inferiores, como 6,9 kVA, carregando mais devagar quando a habitação consome mais. Cada instalação deve ser avaliada por um técnico habilitado.

Posso carregar o carro elétrico numa tomada doméstica?

Sim, com um cabo Modo 2, que inclui uma caixa de controlo e proteção. A potência ronda os 2,3 kW, pelo que carregar por completo uma bateria de grande capacidade pode demorar 20 horas ou mais. É uma solução para uso ocasional, e a tomada deve estar ligada a um circuito em bom estado, verificado por um eletricista. Para o uso diário, a wallbox é mais rápida e mais segura.

Que cabo é preciso para carregar num posto público?

Nos postos de carregamento normal (AC) sem cabo fixo, é necessário um cabo Modo 3 com ficha Tipo 2 nas duas extremidades, que muitos modelos incluem de série ou como opção. Nos postos rápidos e ultrarrápidos (DC), o cabo está sempre preso ao posto, bastando escolher a ficha compatível com o veículo, normalmente CCS2.

Os híbridos plug-in podem carregar em postos rápidos?

Muitos híbridos plug-in carregam apenas em corrente alternada, com ficha Tipo 2, e não dispõem de ficha CCS2. Alguns modelos mais recentes aceitam carregamento DC, pelo que convém confirmar na ficha técnica. Nos postos AC, o carregamento fica limitado pelo carregador de bordo, que nos híbridos plug-in costuma ter menos potência do que nos elétricos.

As fichas de carregamento são iguais em toda a Europa?

Nos postos públicos instalados ao abrigo do Regulamento AFIR, sim: a ficha Tipo 2 em AC e o CCS2 em DC são o mínimo exigido em toda a União Europeia. Por isso, um elétrico comprado em Portugal pode carregar em Espanha ou noutro Estado-Membro. Os meios de pagamento podem variar de país para país, mas os novos postos com 50 kW ou mais devem aceitar cartão bancário.